CONTRA A CORRUPÇÃO, UMA NOVA POLÍTICA Francisco Whitaker

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A superação das crises política e econômica que o país enfrenta depende de uma “visão de conjunto rumo a um tipo de desenvolvimento que não seja baseado pura e simplesmente no crescimento econômico”. É o que pensa Francisco Whitaker em entrevista concedida ao IHU ON-line. Reproduzimos aqui alguns trechos, e a íntegra poder ser conferida clicando aqui.

Whitaker faz uma analíse da conjuntura atual, e especialmente da corrupção. Também retoma o pensamento do economista e dominicano francês Louis-Joseph Lebret, que influenciou parte da esquerda brasileira nos anos 1960, como uma fonte para enfrentar os atuais desafios do país, entre eles a questão da descentralização das cidades e a superação das desigualdades.

Francisco Whitaker foi presidente da Juventude Universitária Católica – JUC em 1953-1954, assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB no 1° Plano Pastoral de Conjunto em 1965-1966, e assessor da Arquidiocese de São Paulo e da CNBB de 1982 a 1988. Foi vereador, pelo PT, de São Paulo-SP. É sócio-fundador da Associação Transparência Brasil e foi professor no Instituto de Formação para o Desenvolvimento de Paris e no Instituto Latino-Americano de Pesquisas Econômicas e Sociais (Ilpes/ONU).

Confira alguns trechos da entrevista.

IHU On-Line – Como o senhor está analisando o atual momento político brasileiro?

Francisco Whitaker – Este momento está provocando, em muitas pessoas, uma enorme perplexidade; é o mínimo que se pode dizer. Objetivamente, esse impeachment foi imaginado pelos perdedores das últimas eleições, que não aceitaram o resultado e se aproveitaram de uma fragilização do governo para montar uma operação para tirá-lo – a Dilma e o PT chamam essa operação de golpe. Efetivamente é um tipo de intervenção não militar – como em geral são os golpes -, que ultrapassa os limites constitucionais. Portanto, a partir do momento em que Michel Temer passar de interino a presidente de fato – se a presidente Dilma for efetivamente destituída no fim do mês de agosto – toda a política econômica e social dos perdedores será implantada no Brasil.

Estamos vivendo um quadro de certa perplexidade e impotência, porque essa nova estrutura de poder que se implantará não poderá atuar como se os outros tivessem desaparecido; haverá uma resistência muito grande e isso criará enfrentamentos e mobilização social, apesar de que ela não chegará mais ao nível que chegou nos momentos mais agudos. Com isso estamos na expectativa de ver no que dará tudo isso.

IHU On-Line – Diante desse quadro, que alternativas e rumos o senhor vislumbra para o país?

Francisco Whitaker – Neste momento se fala cada vez mais em uma reforma política, mas ela tem que ser votada pelo Legislativo, que não é capaz de ter uma visão de mudança necessária. Dentro dessa perplexidade geral que estamos vivendo, estamos tendo que dizer que precisamos fazer o que é possível agora, mas com uma certa direção, por exemplo, no sentido de fazer com que a corrupção seja realmente superada, que passemos a caracterizar esse caminho da corrupção como o pior caminho para a vida das empresas, das pessoas e dos partidos. A corrupção é uma doença que gangrena a vida social e as instituições.

Temos que ter um projeto nacional, que é um projeto que, infelizmente, também não se constrói do dia para a noite. Estou muito empenhado na questão do Legislativo, e apesar da confusão geral, conseguimos avançar no ponto do financiamento das campanhas, que era a raiz da corrupção no setor público, principalmente. Temos que trabalhar muito na educação popular para que as pessoas saibam que têm todo o poder nas mãos na hora de votar e que não podem colocar qualquer pessoa como se fosse representante de qualquer líder do parlamento. Ou seja, temos que melhorar as escolhas e os critérios e isso significa um trabalho enorme na educação política, de conscientização política, na qual as instituições mais comprometidas com a democracia, com o avanço do país e com o bem comum, têm que estar implicadas; é um papel que a igreja teria que fazer. A igreja católica teria que assumir com muito mais vigor o trabalho em torno da conscientização da população sobre o poder do voto e a necessidade de votar bem.

Outro tema que precisamos atacar é o número de mandatos: temos que acabar com os profissionais da política, com a profissionalização da representação; temos que fazer com que as pessoas estejam lá por dois mandatos consecutivos, depois o quadro precisa ser renovado.

Eu fui do PT e acho uma pena o que aconteceu com o partido, que, pragmaticamente, para ganhar a eleição e para se manter no poder, assumiu todas as distorções da cultura política brasileira, que é a cultura do toma lá dá cá, da compra de votos desde dentro do parlamento, até na relação do Executivo e do Legislativo, na relação com os eleitores, inclusive a ponto de financiar suas campanhas através do processo de coleta de recursos junto às estatais. Isso tudo significou uma mudança muito grande no partido.

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