A Igreja Católica celebra, nesta sexta-feira (1), a memória litúrgica de Santo Afonso Maria de Ligório, um dos grandes santos da espiritualidade cristã. Nascido em Nápoles, na Itália, em 1696, Afonso foi advogado, bispo, escritor e fundador da Congregação do Santíssimo Redentor — os missionários redentoristas. Sua vida foi marcada por um profundo amor a Jesus Cristo, à Virgem Maria e aos mais pobres.
Santo Afonso é reconhecido como Doutor da Igreja por suas contribuições à Teologia Moral. Entre suas obras mais conhecidas estão A Prática do Amor a Jesus Cristo, Preparação para a Morte, Glórias de Maria e, principalmente, sua Teologia Moral, que influenciou profundamente a formação do clero e a doutrina da Igreja.
Com uma fé simples, acessível e voltada à misericórdia, Afonso buscava anunciar um Deus próximo e compassivo. Fundando os redentoristas, ele deu origem a uma missão que perdura até os dias de hoje, com presença em diversos países. A Congregação tem como carisma anunciar o Evangelho aos mais abandonados, especialmente os pobres.
Hoje, comunidades redentoristas ao redor do mundo celebram com alegria o legado de seu fundador. A data é marcada por missas, momentos de oração e reflexão sobre a atualidade do pensamento de Santo Afonso, especialmente em tempos em que a Igreja é chamada a ser sinal de esperança e acolhimento.
Congregação do Santíssimo Redentor
A Congregação do Santíssimo Redentor foi fundada em 9 de novembro de 1732, na cidade de Scala, na Itália, por Santo Afonso Maria de Ligório e outros cinco companheiros. Com um carisma profundamente voltado para a pregação das missões populares, a congregação dedica-se especialmente ao atendimento das comunidades mais pobres e abandonadas. O principal objetivo desse grupo é levar o anúncio do Evangelho aos mais necessitados, sempre guiados pela mensagem do amor e da misericórdia de Deus.
A partir de suas origens humildes, a Congregação experimentou uma expansão significativa ao longo dos anos. Inicialmente atuando na Itália, a congregação se expandiu para o norte da Europa, graças ao trabalho de missionários como Clemente Hofbauer e Tadeu Hübl, que se uniram aos Redentoristas em 1784. Desde então, a missão dos Redentoristas se espalhou pelo mundo, alcançando a Europa, as Américas, a África, a Ásia e a Oceania. Hoje, mais de 6 mil redentoristas seguem a vocação missionária, levando a palavra de Deus com ardor e dedicação.
A presença dos Missionários Redentoristas no Brasil teve início em 1893, com a chegada dos primeiros religiosos vindos da Província da Holanda. Eles se estabeleceram em Juiz de Fora (MG), onde começaram a desenvolver o trabalho missionário que logo se espalharia por outras regiões do país. Essa primeira fundação marcou o início de uma longa trajetória de evangelização popular, especialmente voltada às camadas mais simples da sociedade.
No ano seguinte, em 1894, o bispo de Goyaz, Dom Eduardo Duarte da Silva, viajou à Europa em busca de padres que pudessem atender à crescente demanda pastoral da região, cuidar das paróquias e atender aos romeiros do Divino Pai Eterno.
Atendendo a esse chamado, a Província Redentorista da Baviera (Alemanha) organizou uma missão especial para o Brasil Central. Um grupo de missionários, composto por padres e irmãos alemães, partiu da Europa e desembarcou no Rio de Janeiro em outubro de 1894. Divididos em dois grupos, parte seguiu para Aparecida (SP), e o outro grupo para Goiás.
Além dos alemães e holandeses, os redentoristas de origem irlandesa também desempenharam um papel importante no fortalecimento da missão no Brasil, especialmente nas décadas seguintes. A partir de suas raízes espirituais e missionárias, esses religiosos ajudaram a consolidar a presença redentorista em diversas partes do país, sempre com foco na pregação popular, na promoção da justiça social e no acolhimento às populações mais vulneráveis.
A chegada desses missionários representou o início de uma nova etapa na evangelização no Brasil, marcada pela dedicação, coragem e fé. Ao longo das décadas, a Congregação do Santíssimo Redentor se espalhou por quase todos os estados, deixando um legado espiritual profundo e duradouro na vida do povo brasileiro.
Biografia
Santo Afonso Maria de Ligório nasceu em 1696, em Nápoles. Brilhante desde jovem, tornou-se doutor em Direito aos 16 anos, mas, após uma decepção com o sistema jurídico, decidiu abandonar a carreira e ingressar na vida religiosa. Ordenado sacerdote em 1726, dedicou-se à evangelização dos mais pobres, promovendo missões e retiros populares.
Em 1732, fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, com a missão de levar a Palavra de Deus às comunidades mais necessitadas. Apesar das dificuldades iniciais, a obra cresceu e influenciou a Igreja em todo o mundo. Além de sua atuação pastoral, escreveu mais de 120 obras, incluindo Teologia Moral e Glórias de Maria, que se tornaram referências.
Sua contribuição para a Congregação foi essencial na formação dos Missionários, enfatizando a pregação acessível e a proximidade com o povo. Ele estabeleceu um método pastoral baseado na misericórdia, tornando a confissão e a direção espiritual mais compreensíveis e acolhedoras. Esse modelo se tornou um dos pilares da espiritualidade redentorista.
Além disso, Afonso estruturou a Congregação com uma forte identidade mariana e eucarística, incentivando a devoção ao Santíssimo Sacramento e a Nossa Senhora. Seu legado permanece vivo na atuação dos Missionários Redentoristas, que continuam levando a mensagem da redenção aos mais necessitados.
Nomeado bispo em 1762, permaneceu no cargo por 15 anos, mas renunciou devido à saúde frágil. Faleceu em 1787, aos 91 anos. Foi canonizado em 1839 e proclamado Doutor da Igreja em 1871. Seu legado segue vivo na atuação dos Missionários Redentoristas, que continuam sua missão evangelizadora.


