Povíncia Redentorista de Brasília

“Clamamos: Abbá, Pai” é o tema da Romaria 2026

A maior festa religiosa do Centro-Oeste já tem tema, “Clamamos: Abbá, Pai”, e acontece entre os dias 26 de junho e 5 de julho. O tema foi anunciado pelo reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, padre Marco Aurélio Martins, durante a 3ª Novena Solene em preparação para a festa.

Segundo o reitor, o tema “Clamamos: Abbá, Pai” é muito mais que uma temática. “É uma experiência, um relacionamento, é um abraço, é o Pai Eterno que vem abraçar os Seus filhos ao acolher e oferecer dignidade, vida e oportunidade. Clamar ao Pai é reconhecer que somos de fato necessitados deste Pai que nos permite chamá-lo de paizinho, e que desejou estar conosco. Pois o encontro dos filhos com o Pai é a centralidade da fé”, comenta o reitor.

O Abbá, Pai é um conceito central na fé cristã, que reflete a natureza do relacionamento que as pessoas buscam ter com Deus. “Abbá” é uma palavra em aramaico que significa “Pai” e denota uma intimidade profunda, carinho e confiança. Embora fosse incomum no judaísmo da época chamar Deus por um termo tão pessoal, Jesus o usou para se dirigir a Deus em oração (Marcos 14,36), revelando uma relação filial e de total dependência.

Para o padre Antônio Donizeth, a palavra é frequentemente associada a um termo afetuoso que uma criança usaria, como “Papai” ou “Paizinho”. “A busca por “Abbá, Pai” funciona como o reconhecimento de que, através de Jesus Cristo e pela ação do Espírito Santo (Romanos 8,15; Gálatas 4,6), todos são adotados como filhos de Deus. Essa relação substitui o medo pela confiança e amor”, explica o padre, que acrescenta ainda que “a busca não é um processo de encontrar um Deus distante, mas sim de viver e aprofundar a relação já oferecida por Ele”.

Cartaz Romaria 2026
O Santuário Basílica divulgou também, no domingo (7/12), a identidade visual da Romaria 2026, momento em que o padre Jadeilson Santos disse que o cartaz é um instrumento de evangelização. “O material visa tocar o coração das pessoas e levá-las a uma experiência de fé. Por isso, o casal de lavradores eleva suas mãos ao Pai, nos mostrando que nós também devemos fazer o mesmo e buscar Aquele que nos criou”, contou o religioso.

A ideia dos ícones do cartaz partiu do retábulo do altar do Santuário, que foi revitalizado pelo artista Silvio Moraes, resgatando elementos da história da devoção e do regionalismo goiano. Segundo ele, “o retábulo conta com a imagem do medalhão, o casal de agricultores que encontrou o medalhão, dois anjos que anunciam o Cristo e a imagem do Pai Eterno. No regionalismo, temos a viola, a flor do ipê que está no alto caindo sobre o chão, que faz alusão à graça de Deus que desce sobre seus filhos e os preenche com o seu amor”. Todos esses elementos deram partida para a criação do cartaz.

Com a ideia central, padre Jadeilson alinhou com os profissionais de criação e chegou à identidade visual do cartaz. Deixando visível que a “mensagem central da Romaria 2026 informa que temos um Pai, e Ele está de braços abertos para nos acolher em seu Santuário. Que ninguém saia desta festa sem que a oração chegue ao céu”.

História da Devoção
Em 2026, a Romaria do Divino Pai Eterno celebra 186 anos; a devoção teve início por volta de 1840. A história narra que o casal Constantino Xavier e Ana Rosa encontrou, enquanto trabalhava na lavoura, um medalhão de barro de aproximadamente 8 cm com a estampa da Santíssima Trindade – Pai, Filho e o Espírito Santo – coroando Nossa Senhora. Eles beijaram a imagem, levaram-na para casa e a colocaram em um altar. Com isso, deram início à oração do terço em família e depois também com os vizinhos. A notícia rapidamente se espalhou, juntamente com uma sucessão de milagres.

Segundo a tradição, após algum tempo, Constantino Xavier dirigiu-se a Pirenópolis (GO), a mais de 120 km de distância de Trindade, para restaurar o medalhão encontrado. No entanto, ao invés disso, o artista plástico Veiga Valle fez uma imagem, em madeira, de aproximadamente 30 cm. Sem dinheiro para pagar pelo objeto sagrado, Constantino deixou o próprio cavalo em troca da imagem e voltou a pé para Trindade, tornando-se, assim, o primeiro romeiro. Ele foi recebido em festa por todos da cidade e, naquele momento, surgiu também o motivo da tradicional peregrinação ao Santuário.

 

Texto: Karlla Freitas/Santuário Basílica do Divino Pai Eterno