Povíncia Redentorista de Brasília

Tempo Pascal, um grande domingo

Chama-se Tempo Pascal o tempo litúrgico que vai do Domingo da Páscoa ao Domingo de Pentecostes, um período, pois, de cinquenta dias, nos quais brilha fervorosamente o mistério da Páscoa, na alegria do Senhor ressuscitado. Podemos dizer que a frase típica do Tempo Pascal poderia ser: “O Senhor ressuscitou verdadeiramente. Aleluia!”, numa identificação pastoral e litúrgica com as antífonas da Missa (Entrada e Comunhão), como também com as antífonas e responsórios da Liturgia das Horas, acrescidas ainda com ênfases bíblicas, nas citações de Lc 24,34 e At 3,15, por exemplo.

Saibamos com fé esclarecida: é, pois, no Tempo Pascal que a Liturgia canta com mais vivacidade e fervor o aleluia da ressurreição.

Na Liturgia, o Círio Pascal é aceso, como símbolo do Senhor ressuscitado, nos cinquenta dias após o Domingo da Páscoa, mesmo nos dias de semana. Isso mostra o caráter festivo que a Igreja quer dar ao Tempo Pascal, que, além de ser um tempo vivo de Páscoa, é também preparação sempre festiva para a grande solenidade de Pentecostes, que encerra e coroa as festas pascais. O lugar mais adequado para o Círio, no espaço celebrativo, é próximo ao ambão.

Nota: No final da celebração de Pentecostes, o Círio Pascal deve ser guardado, com veneração, no Batistério ou em outro lugar digno, acendendo-se nas celebrações do Batismo, da Crisma e nas exéquias, quando estas são feitas na igreja.

Com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, somente duas celebrações hoje na Igreja têm “Oitava”, isto é, um prolongamento festivo da festa principal por oito dias, durante os quais a Liturgia se volta com o caráter festivo da solenidade principal. As duas Oitavas são, pois, a do Natal e a da Páscoa.

Principalmente na Oitava da Páscoa, dada a sua importância litúrgica, não se celebra nenhuma outra festa ou solenidade. Caindo uma festa na Semana Santa ou na Oitava da Páscoa, esta é omitida; se, porém, o grau da celebração for solenidade, esta é transferida para a segunda-feira após a Oitava pascal.

A Oitava da Páscoa vai, assim, do Domingo da Páscoa ao domingo seguinte, este chamado antes “Domingo in albis”, em que os novos batizados depunham suas vestes brancas.

Nota: Em 23 de maio de 2000, por decreto da Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos, o segundo Domingo da Páscoa passou a chamar-se também Domingo da Divina Misericórdia, dadas as revelações do Senhor a Santa Faustina.

Acentuando ainda mais a unidade do tempo pascal, os domingos desse tempo, antes chamados de “domingos depois da Páscoa”, são chamados agora, pela reforma litúrgica, de Domingos da Páscoa, com a identificação de 2º, 3º e assim por diante. São sete tais domingos e, no sétimo, no Brasil se celebra a Solenidade da Ascensão do Senhor.

Como se vê, a Páscoa tem um prolongamento imediato, nos oito dias seguintes, na chamada Oitava, onde não se faz nenhuma outra celebração, e um prolongamento mais extenso, indo até a Solenidade de Pentecostes, tempo em que outras celebrações não são omitidas.

Segundo Santo Atanásio, o Tempo Pascal deve ser celebrado como um “grande domingo”, ou seja, um domingo com duração de cinquenta dias. Já para Santo Agostinho, o Domingo da Páscoa deve ser considerado e celebrado como o “domingo dos domingos”.

Liturgia do Tempo Pascal

O Tempo Pascal, na Liturgia, é fortemente marcado pela espiritualidade joanina, por ser o Evangelho de João considerado como “evangelho pascal”. Assim, aos domingos, com exceção do da Ascensão, o evangelho proclamado é de João, como também nos dias de semana, exceto alguns dias da Oitava da Páscoa.

Uma nota interessante da Liturgia do Tempo Pascal é que nela não mais se proclama o Antigo Testamento. Na sétima leitura da Vigília Pascal do Sábado Santo, tomada do profeta Ezequiel (Ez 36,16-17a.18-28), podemos dizer que a antiga aliança entra em profundo silêncio. As profecias e suas figuras, agora realizadas, cedem lugar à realidade viva de Cristo Crucificado e Ressuscitado.

Outro dado importante é que a primeira leitura do Tempo Pascal é sempre retirada dos Atos dos Apóstolos, tanto aos domingos quanto nos dias de semana. Assim, a Igreja se alegra, conta e ouve a história de si mesma nos seus primórdios, reconhecendo nela um testemunho de fidelidade ao Senhor, mesmo em meio às perseguições.

Com relação à segunda leitura dos domingos: Ano A (Mateus): Primeira Carta de São Pedro; Ano B (Marcos): Primeira Carta de São João; Ano C (Lucas): Livro do Apocalipse.

Solenidades do Tempo Pascal

Além do Tríduo Pascal, duas outras solenidades marcam o Tempo Pascal: a Ascensão do Senhor e Pentecostes.

A Ascensão do Senhor, no Brasil, é celebrada no domingo, embora a data original da solenidade seja a quinta-feira, quarenta dias após a Ressurreição, conforme o relato de At 1,3.9. A transferência para o domingo facilita a participação dos fiéis e ocupa o lugar do 7º Domingo da Páscoa.

Outra celebração é Pentecostes que, na dimensão litúrgica, representa o coroamento de todo o ciclo da Páscoa. Celebrada cinquenta dias após a Ressurreição, esta solenidade marca o início solene da missão pública da Igreja, conforme narrado em At 2,1-41.

Podemos dizer que “a Páscoa é a imolação e glorificação de Cristo; Pentecostes é a sua exaltação como Kyrios pela Igreja, plena do seu Espírito”.

No Antigo Testamento, Pentecostes era uma festa agrícola, chamada Festa das Semanas, celebrada em ação de graças pela colheita do trigo. Mais tarde, passou a ser associada à entrega da Lei no Monte Sinai.

No Novo Testamento, é nesse dia que acontece a efusão do Espírito Santo sobre os apóstolos, revelando ao mundo a Igreja como sinal vivo de salvação.

A partir do Missal de Papa Paulo VI, Pentecostes passou a ser compreendida novamente como uma festa profundamente ligada à Páscoa, encerrando plenamente o mistério pascal da morte e ressurreição do Senhor.

A antífona mariana Regina Coeli

Durante todo o Tempo Pascal, na oração das Completas da Liturgia das Horas, a Igreja substitui o Angelus pela antífona mariana: “Rainha do céu, alegrai-vos, aleluia. Porque Aquele que merecestes trazer em vosso seio, aleluia, ressuscitou como disse, aleluia. Rogai a Deus por nós, aleluia.”

 

 

João de Araújo
Do laicato de Belo Horizonte