Santo Afonso de Ligório, fundador da Congregação do Santíssimo Redentor, e outras dezenas de santos afirmam que o segredo da santidade está na conformação de nossa vontade com a vontade de Deus. E nesta direção caminhou em sua curta vida a Beata Maria de la Concepción del Perpetuo Socorro Barrecheguren García, conhecida como Beata Conchita Barrecheguren. Espanhola de Granada, nascida em 27 de novembro de 1905, viveu apenas 21 anos marcados pela experiência da alegria em meio aos sofrimentos, em uma profunda conformação com a vontade divina na normalidade do cotidiano.
Desde a tenra idade Beata Conchita experimentou o sofrimento de ter muitas enfermidades, o que lhe impossibilitou de frequentar normalmente o curso escolar. Seu educador foi primordialmente seu pai, Francisco Barrechenguren, que lhe transmitiu os valores cívicos, culturais e religiosos. Os ensinamentos paternos lhe proporcionaram o desenvolvimento do talento para a música e a escrita. Conchita tocou com maestria o piano, compôs, escreveu poesias, e ao mesmo tempo, teve uma autêntica vida cristã, com regular frequência aos sacramentos e participação eclesial nos grupos e movimentos de seu tempo.
Mulher de fé e resiliência, se soube amada porque vislumbrou a plenitude da redenção através da fidelidade de cada dia no meio das alegrias e sofrimentos inerentes a existência humana. Desejou a vida religiosa contemplativa na Ordem das Carmelitas Descalças impulsionada pelos exemplos de sua santa de devoção, Santa Teresinha do Menino Jesus. Porém, a vontade divina lhe havia preparado uma outra via de santidade, e assim, acabou não sendo aceita na vida consagrada.
O caminho de santidade de Conchita foi marcado profundamente pelas enfermidades, tanto que uma vez em perfeita e sadia consciência, proclamou que sua vocação, e por tanto, seu processo de santificação, era estar sempre enferma. Em 1917 foi diagnosticada com uma inflamação intestinal que lhe causou muitas dores e lhe levou a uma restrita dieta alimentícia. Teve ainda as preocupações em decorrência da saúde mental de sua mãe, Concepcíon García Calvo, que precisou ser internada várias vezes. E, regressando de uma peregrinação a Lisieux, onde corajosamente não quis pedir sua cura, mas, tão somente se entregou nas mãos de Deus, Conchita contraiu a tuberculose, que nos últimos anos de sua vida a deixou acamada devido a fraqueza extrema.
Debilitada e totalmente entregue a vontade divina, assistida pelo hoje beato, o mártir redentorista Padre Julián Pozo Ruiz de Samaniego, falece nossa beata aos 13 de maio de 1927, deixando lições pertinentes para a vida cristã. Beata Conchita em sua breve vida possuiu traços comuns com a espiritualidade redentorista: a vontade de Deus, centralidade de Cristo, aceitação consciente e confiante dos sofrimentos, esperança cristã, vida de oração. Mesmo não pertencendo juridicamente a grande família redentorista, quis a divina providência estabelecer um elo que nos une a esta beata: seu pai, depois da morte da esposa, fez-se missionário redentorista vindo a falecer em 1957, e atualmente encontra-se em processo de beatificação.
Em uma sociedade marcada por fortes traços hedonistas, onde impera o mal uso da liberdade e da subjetividade, as lições da Beata Conchita Barrencheguren se tornam atuais e servem de caminho de superação. O extraordinário de sua vida está em viver as alegrias e sofrimentos de modo ordinário e simples, aceitando a cruz como caminho de crescimento espiritual, não caindo em ilusões de uma espiritualidade da prosperidade que vê a religião apenas como busca de um bem-estar pessoal. Também diante da crise da instituição familiar, ela se torna exemplo de como uma família ajuda na formação de pessoas maduras, equilibradas e arraigadas em Deus. Por essas lições, bendizemos a Deus pela santidade de vida de Conchita e de seu pai, e pedimos que prontamente sejam venerados universalmente como santos, como exemplos de vida e de seguimento a Jesus.
Pe. Marcos Paulo Alves, CSsR
Bogotá – Colômbia



