Povíncia Redentorista de Brasília

Glória e Aleluia na liturgia: significado, importância, permissão e restrição

Sabemos que a liturgia da Igreja é o espaço ordinário da comunidade de fiéis no encontro com Deus, no qual cada elemento — oração, canto, leitura e símbolos — possui um profundo significado teológico, espiritual e histórico. Entre esses elementos, o Glória e o Aleluia ocupam um lugar de destaque, com suas nuances próprias no tempo litúrgico, sendo expressões de louvor e jubilosa celebração da fé cristã.

O sentido do Glória na liturgia é o de um cântico de louvor que exalta a majestade e a misericórdia de Deus. Inserido na celebração do Rito da Santa Missa, manifesta-se não somente no Hino de Louvor, mas também em diversos momentos celebrativos, especialmente na introdução da Oração da Coleta e na Oração Eucarística, desde o prefácio, compondo uma estrutura solene e trinitária de louvor. Essa locução, seja verbal ou cantada, remonta ao cântico dos anjos na natividade do Menino Jesus, conforme o Evangelho de Lucas (2,14): “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”.

Essa expressão de louvor também reflete os hinos presentes na tradição cristã primitiva, como vemos em Hebreus (13,15): “Ofereçamos sempre a Deus, por meio de Jesus, um sacrifício de louvor”, definido como fruto de lábios que confessam o seu nome. O Glória significa adorar e agradecer incondicionalmente, mesmo em meio às dificuldades ou sofrimentos, reconhecendo Cristo como Redentor. Ele expressa o reconhecimento da soberania de Deus, a alegria pela salvação realizada por Cristo e a comunhão dos fiéis na adoração divina.

Já o Aleluia significa “Louvai ao Senhor” (do hebraico hallelû Yah) e é um cântico de exaltação que antecede a proclamação do Evangelho. Como indicado em Mateus (28,6) — “Ele não está aqui, ressuscitou, como havia dito” —, o Aleluia prepara os fiéis para a escuta da Palavra de Deus, convidando-os à alegria pelo mistério de Cristo. Ele simboliza a esperança e o júbilo na vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, convidando todos a manifestarem sua alegria na celebração pascal. Sua origem remonta ao hebraico antigo e à tradição judaica, refletindo a natureza do louvor no espírito cristão (cf. Sl 146–150).

Agora, compreendendo melhor a origem e o significado do Glória e do Aleluia na liturgia eucarística, podemos entender por que são omitidos durante a Quaresma.

A Igreja, em suas práticas litúrgicas, reserva certas expressões de louvor para momentos de maior alegria e celebração. A Quaresma, período de reflexão, penitência, jejum, silêncio, reconciliação e preparação para a Páscoa, é marcada por um tom mais sóbrio e penitencial, conforme orienta o Missal Romano (cf. n. 270). Assim, o Glória e o Aleluia são omitidos na liturgia quaresmal para reforçar esse clima de recolhimento espiritual, ajudando os fiéis a prepararem o coração para a solenidade da Páscoa, momento máximo da alegria e esperança cristã.

O retorno do Glória e do Aleluia a partir da Vigília Pascal marca novamente o seu lugar na grande alegria cristã, que é a vitória de Cristo sobre a morte em sua gloriosa ressurreição. Por isso, a Igreja retoma essas expressões de louvor, e o Glória volta a ser entoado nas missas, exaltando o mistério da nova vida de Cristo, vivo, glorioso e ressuscitado. Em consonância com esse espírito pascal, o Aleluia volta a ser expressão na liturgia dominical, enaltecendo a ressurreição e o triunfo de Jesus sobre o pecado e a morte.

Essa retomada reflete a alegria pascal, como destacado na Missa da Vigília Pascal, segundo o Missal Romano (cf. n. 146). Essa manifestação de júbilo reforça a vitória de Cristo e reafirma a fé na vida eterna, em consonância com o Cânon da Missa e o Te Deum de ação de graças.

Por fim, o Glória e o Aleluia são elementos fundamentais na liturgia, revestindo a celebração de um caráter de louvor, esperança e alegria cristã. Sua supressão na Quaresma e sua retomada na Páscoa demonstram a harmonia entre a fé, a tradição e o calendário litúrgico, aprofundando a experiência do mistério pascal. Como ensina a liturgia, esses cantos permanecem como sinais visíveis da alegria cristã, proclamando a vitória de Cristo e convidando toda a comunidade a louvar ao Senhor.

Que os anjos e o povo proclamem: “Que todo joelho se dobre e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fl 2,10-11).

 

Pe. Eugênio Alexandre Gomes de Sousa, CSsR

Missionário Redentorista