Neste dia, 18 de setembro, em que fazemos memória ao Irmão Vito Curzio, CSsR, primeiro Irmão da Congregação do Santíssimo Redentor, recordamos sua vida marcada pela entrega total a Deus e pelo testemunho de humildade e serviço. Sua história, ligada aos primórdios da Congregação fundada por Santo Afonso, continua a inspirar a vocação redentorista e a missão de anunciar a Copiosa Redenção.
Nascido em Acquaviva, no sul da Itália, por volta de 1706, Vito vinha de uma família de prestígio e ocupava lugar de destaque na sociedade. Era bacharel em direito, calígrafo, militar e chegou a exercer a função de vice-marquês do Feudo dos Ávalos. Reconhecido pela posição social e também por seu temperamento forte, carregava consigo marcas da vida mundana e das exigências de sua carreira.
Tudo mudou quando, em um sonho, encontrou-se com a figura de Santo Afonso. Na visão, ele tentava subir uma montanha sem sucesso, até que um sacerdote estendeu a mão e o ajudou a alcançar o alto. Dias depois, ao ver Afonso pelas ruas de Nápoles, reconheceu-o como o mesmo padre do sonho. Para Vito, não havia dúvidas: era um sinal de Deus.
Pouco tempo depois, em novembro de 1732, apenas nove dias após a fundação da Congregação, Vito ingressou em Scala como um dos primeiros companheiros de Santo Afonso. Ali, trocou os símbolos de poder e armas que um dia carregara por gestos de humildade e dedicação. Logo em seu início, foi colocado à prova: o fundador lhe pediu que servisse à mesa. Para quem sempre fora servido, parecia impensável, mas Vito aceitou e, a partir dali, deixou-se moldar pelo carisma redentorista.
Seu testemunho foi marcado por uma profunda mudança de vida. Viveu a pobreza de maneira radical, desapegado de bens e confortos, sempre pronto a ajudar os confrades. Na oração, dedicava longas horas ao rosário e às práticas de mortificação. Sua obediência às Constituições era tão grande que ele mesmo preparou um resumo para carregar consigo.
Um dos legados mais conhecidos de Ir. Vito foi a criação do escudo redentorista. Gravado por ele no forno da comunidade de Scala, o símbolo reflete a própria experiência de sua conversão: a cruz erguida sobre três montes, as escadas, a lança e a esponja, tudo remetendo ao mistério da redenção e ao caminho espiritual que percorreu.
Após anos de dedicação, sua saúde foi debilitada por enfermidades, e Ir. Vito faleceu em 18 de setembro de 1745, aos 39 anos, com pouco menos de 13 anos de vida consagrada. Sua morte foi vista como a de um santo, e sua memória permanece viva como exemplo de entrega total a Deus.
O que significa ser Irmão Redentorista?
Na Congregação do Santíssimo Redentor, assim como em tantas ordens e institutos masculinos, há religiosos que recebem o sacramento da ordem (os padres) e há aqueles que, como Ir. Vito, vivem sua vocação como Irmãos.
O Irmão Redentorista não é ordenado sacerdote, mas é consagrado por meio dos votos de pobreza, castidade e obediência. Vive a mesma missão e espiritualidade dos padres, sendo “verdadeiramente missionário”, como afirmam as Constituições da Congregação.
A vocação do Irmão é sinal de que a santidade e o serviço ao Evangelho não se limitam ao altar, mas se manifestam em diferentes formas de doação: seja no trabalho pastoral, na administração, na acolhida ou em diversas frentes da vida comunitária e missionária.
A história de Ir. Vito Curzio mostra que a vocação do Irmão Redentorista nasce do encontro com Cristo Redentor e se realiza na simplicidade, no serviço e no amor à missão. Hoje, sua memória recorda que todos, independentemente da função, são chamados a viver com radicalidade a copiosa redenção anunciada por Santo Afonso.



