Povíncia Redentorista de Brasília

Por que Nossa Senhora do Perpétuo Socorro faz parte da espiritualidade redentorista?

Em primeiro lugar, é importante um esclarecimento: Maria tem um lugar de destaque na espiritualidade redentorista porque Santo Afonso Maria de Ligório, fundador da Congregação do Santíssimo Redentor, era um grande devoto de Maria Santíssima. Afonso cultivava uma devoção filial à Imaculada Conceição e a proclamou padroeira da Congregação. Portanto, é sob o título de Imaculada Conceição que a Congregação Redentorista a reconhece como sua padroeira oficial.

O título de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no entanto, passou a ocupar gradativamente um lugar especial dentro da devoção mariana redentorista. O ícone hoje venerado e propagado pelos missionários redentoristas tem sua origem na ilha de Creta, na Grécia. Seu autor é desconhecido, e acredita-se que tenha surgido entre os séculos XII e XVII. O ícone foi ali venerado durante muitos anos, até ser roubado e levado para a Itália, onde permaneceu esquecido por um longo período.

Depois de algum tempo, foi levado à Igreja de São Mateus, em Roma — exatamente onde hoje se encontra a Casa Geral dos Redentoristas. Essa igreja foi destruída durante a invasão napoleônica à cidade, e novamente o ícone caiu no esquecimento. Anos depois, o Superior Geral da Congregação, Pe. Mauron, tomou conhecimento da história do ícone e solicitou à Santa Sé a permissão para que ele fosse venerado na atual Igreja de Santo Afonso, construída no mesmo local da antiga Igreja de São Mateus.

O Papa Pio IX não apenas atendeu ao pedido, como fez uma solicitação especial à Congregação: “Façam-na conhecida no mundo inteiro.” O ícone foi entronizado na Igreja de Santo Afonso, em Roma, no dia 26 de abril de 1866.

A partir daí, iniciou-se uma linda história de amor a esse título tão especial dado a Maria: Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a Virgem Imaculada que está sempre disposta a levar nossos pedidos ao seu Filho Jesus — em outras palavras, sempre pronta a nos socorrer e a nos apontar o autor de nossa Redenção: Jesus Cristo.

A devoção à Mãe do Perpétuo Socorro foi rapidamente abraçada por toda a Congregação. Os missionários redentoristas criaram uma forma muito especial de torná-la conhecida: as Novenas Perpétuas, que se espalharam com rapidez por todo o mundo.

Nesses 159 anos de missão, os frutos desse esforço são visíveis. Sob esse título, Maria foi incorporada à espiritualidade redentorista de forma tão profunda que hoje é impossível pensar nesse ícone sem associá-lo à ação missionária dos redentoristas, cuja principal vocação é evangelizar os mais pobres e abandonados.

Mas o que vemos nesse ícone venerado no mundo inteiro? Vemos a Mãe (Nossa Senhora) com um olhar discreto, porém profundo, voltado para quem a contempla. E, ao mesmo tempo, ela aponta para o Menino Jesus, o motivo de nossa salvação. É como se Maria dissesse: “Vocês que olham para mim, olhem para Ele. Olhem para o meu Filho. Nele vocês encontrarão o socorro necessário, o auxílio de que precisam.”

Essa devoção foi tão profundamente assumida pelos missionários que hoje não se concebe a vida redentorista sem o amor expresso por Maria, aquela que sempre nos conduz a Jesus.

Na novena celebrada na região de Goiás, há um trecho que resume bem essa espiritualidade mariana:
“Estamos reunidos com Maria, Mãe de Jesus. Segundo o plano de Deus, em Maria tudo se refere a Cristo e tudo depende d’Ele. Toda a sua existência é uma plena comunhão com seu Filho. Sua missão é trazer-nos o Cristo, facilitando nosso encontro com Ele, o único caminho para o Pai. Por isso, nós confiamos em Nossa Senhora e, como filhos e filhas, a amamos.”

 

Pe. Walmir Garcia, CSsR

Superior e Formador no Seminário Pe. Pelágio Sauter – Trindade – (GO)