Povíncia Redentorista de Brasília

Sábado Santo: o silêncio que prepara a esperança

O Sábado Santo é um dia marcado pela esperança silenciosa e a atenta espera da comunidade cristã, que reflete sobre os fatos mais marcantes que antecederam a Páscoa da Ressurreição. Somos convidados a meditar as dores e os sofrimentos da nossa própria vida à luz do mistério pascal. O silêncio orante e vigilante nos prepara para o maior acontecimento na vida de todas as pessoas de boa vontade. Uma antiga tradição da Igreja consiste em celebrar o Ofício das Trevas, com o intuito de conduzir os fiéis a uma maior interiorização e contemplação, despertando em nosso ser a consciência da gravidade do nosso pecado, a dor da Paixão do Senhor e a feliz esperança da Ressurreição. Segundo o papa Bento XVI: “No silêncio da Cruz, fala a eloquência do amor de Deus vivido até ao dom supremo. Depois da morte de Cristo, a terra permanece em silêncio…” (Silêncio e palavra: caminho de evangelização, 2012). A Igreja, diante da perseguição e da morte, da dor e da doença, do sangue derramado pelos mártires, de cada cristão vítima de sofrimentos variados, permanece unida na mesma esperança, junto às santas mulheres que vão ao sepulcro…

A celebração inicia com a comunidade reunida para a bênção do fogo novo e a procissão do Círio Pascal. É a Luz de Cristo que ilumina a vida da Igreja, que exultante proclama: Ó noite de alegria verdadeira, que prostra o Faraó e ergue os hebreus, que une de novo o céu e a terra inteira, pondo na treva humana a luz de Deus. Na Vigília Pascal, a Liturgia nos conduz a percorrer a história da salvação, a partir da escuta atenta da Palavra proclamada. Partindo da Criação (cf. Gn 1,1.26-31), passamos pela libertação do povo de Deus (cf. Ex 14,15–15,1), até recebermos o anúncio angélico da Páscoa. O silêncio, a oração e a meditação, vivenciados ao longo desse dia, são interrompidos por uma surpreendente revelação: “Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito!” (Mt 28,5s). A escuridão da longa noite cedeu lugar à luz que jamais se apaga…

No amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena, acompanhada de outras mulheres, foram ao sepulcro de Jesus “com os aromas que haviam preparado” (Lc 24,1). Levavam em seu coração as marcas da violência sofrida por seu Mestre, mas, diante da dor e do silêncio, restava a confiança inabalável de que Deus jamais abandona o seu povo. Com a Virgem Maria, devemos aprender a guardar e meditar os desígnios do Senhor em nosso coração. Como discípulos de Cristo, somos chamados a vivenciar a nossa fé, alimentando-a com firme esperança, mesmo diante das dificuldades e tribulações pelas quais passamos em nossa existência terrena. O papa Francisco abriu o Jubileu da Esperança, convidando todos os fiéis a serem testemunhas da esperança cristã, que jamais decepciona, que brilha como uma luz radiante nas estradas da vida. Somos a Igreja da Esperança, que celebra continuamente a presença do Senhor em nosso meio, através da Palavra e da Eucaristia, ao mesmo tempo que proclamamos o dia glorioso de seu retorno: Marana tha! Vem, Senhor Jesus!

O próprio Senhor Ressuscitado apareceu às mulheres: “Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão” (Mt 28,10). Eis que brilhou a luz do novo dia: a vida venceu a morte, as trevas do pecado foram dissipadas e substituídas pela abundante redenção. São Paulo nos exorta: “Pois, se fomos de certo modo identificados a Jesus Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também pela ressurreição… Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele” (Rm 6,5.8). Cremos e proclamamos diariamente a esperança da Ressurreição, que é o centro da mensagem cristã. As corajosas mulheres, que, desafiando eventuais perigos, se dirigiram ao sepulcro, foram as primeiras a testemunhar essa verdade diante da comunidade cristã. A dor e o silêncio do dia anterior foram substituídos pelas palavras do Divino Mestre: “Alegrai-vos! … Não tenhais medo…”

 

Pe. Wagner Gonçalves de Souza Lima, CSsR

Roma – Itália