O que dizer de São José? Por que Santo Afonso Maria de Ligório o escolheu como um dos principais patronos de sua nascente ordem religiosa, a Congregação do Santíssimo Redentor? Essa escolha nasceu de uma profunda devoção pessoal e de uma clara identificação entre a missão da congregação e as virtudes de José. Para Afonso, a vida silenciosa, fiel e obediente do Patriarca refletia, de modo exemplar, o espírito missionário que desejava para seus religiosos.
Santo Afonso via em São José o guarda fiel e providente da Redenção, aquele que cuidou de Jesus e de Maria — tesouros preciosos da obra redentora — com zelo e responsabilidade. Como os redentoristas se dedicam a levar a redenção ao povo, encontram em José o modelo de quem protege, ampara e guarda o Redentor com amor e fidelidade.
A figura bíblica de José também se destaca pelo silêncio e pela oração. Reconhecido como homem justo, ele expressa uma espiritualidade profunda que Santo Afonso considerava essencial não apenas para a missão, mas também para a vida comunitária. Nesse sentido, José se torna inspiração concreta para uma vivência interior sólida e fecunda.
Além disso, Afonso via em José um poderoso protetor e intercessor. Depois de Maria, ele o considerava o santo mais querido por Deus, confiando plenamente em sua intercessão e proteção espiritual — tradição que a espiritualidade cristã expressa ao chamá-lo de “terror dos demônios”. Essa confiança reforça o papel de José como defensor e amparo dos fiéis.
A obediência total de José à vontade de Deus é outro aspecto central dessa devoção. Sua disponibilidade generosa diante do plano divino reflete um valor fundamental para a congregação fundada por Afonso: a entrega confiante à missão recebida.
Essa profunda devoção de Santo Afonso a São José aparece de forma clara em seus escritos, especialmente na obra Visitas a São José, na qual ele exalta o poder de intercessão do santo e convida os fiéis a confiarem em sua proteção ao longo da vida e também na hora da morte.
Reze com Santo Afonso:
“Meu santo Patriarca, alegro-me com a tua felicidade e grandeza por seres digno de ter o poder de guiar, com a autoridade de um Pai, Aquele a Quem o céu e a terra obedecem, e de fazê-Lo obedecer-te. Meu santo Patrono, já que um Deus te serviu, eu também desejo inscrever-me ao teu serviço; escolho-te, depois de Maria, como meu principal advogado e protetor. Prometo honrar-te todos os dias com alguma devoção especial, e a cada dia me colocarei sob a tua proteção. Pela doce companhia de Jesus e Maria, que desfrutaste em vida, protege-me durante toda a minha vida, para que eu jamais me separe de Deus, perdendo a Sua graça. E pela assistência que Jesus e Maria te deram até a morte, protege-me na hora da minha morte, para que, morrendo na tua companhia, na de Jesus e Maria, eu possa um dia ir agradecer-te no paraíso, e na tua companhia louvar e amar o teu Deus por toda a eternidade. Amém.”
A identificação de Santo Afonso com São José era tão profunda que, por um período, ele chegou a assinar suas cartas acrescentando “José” ao próprio nome. Em diversos conventos redentoristas, também se tornou tradição manter um altar dedicado ao Patriarca, sinal concreto dessa devoção viva que atravessa gerações.
Pe. Frederico Augusto de Oliveira, CSsR
Rio de Janeiro – RJ



