A Romaria do Divino Pai Eterno, realizada anualmente em Trindade (GO), deu mais um passo para ser reconhecida oficialmente como manifestação da cultura nacional. A Comissão de Educação e Cultura (CE) do Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (3), o Projeto de Lei 2.423/2026, de autoria do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO). A proposta segue agora para a Câmara dos Deputados, salvo apresentação de recurso para votação no Plenário do Senado.
A aprovação ocorreu em caráter terminativo, dispensando a apreciação pelo Plenário da Casa. O relator da matéria, senador Flávio Arns (PSB-PR), apresentou parecer favorável ao reconhecimento da importância histórica, religiosa e cultural da Romaria.
Durante a defesa do projeto, Vanderlan Cardoso destacou a origem da devoção ao Divino Pai Eterno, em 1840, na antiga região do Barro Preto, atual município de Trindade. Na época, o casal de agricultores Constantino Xavier e Ana Rosa encontrou um medalhão de barro com a representação da Santíssima Trindade coroando Nossa Senhora.

“Dali nasceram as primeiras orações em família. Depois nasceu uma cidade. E junto a isso nasceu uma devoção que atravessou cinco gerações e chegou até nós”, afirmou o senador, ressaltando os mais de 180 anos de continuidade da tradição religiosa.
O parlamentar também chamou a atenção para a dimensão da Romaria e sua capacidade de acolhimento. Em 2025, a celebração recebeu mais de 4,3 milhões de peregrinos ao longo de dez dias de festividades.
“É preciso ver de perto para entender a dimensão do que se faz ali. Mais de quatro milhões de pessoas visitando a cidade em dez dias, com acolhida, com segurança, com respeito, com ordem. Isso não acontece por acaso”, declarou.
Na ocasião, Vanderlan reconheceu o trabalho do reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, padre Marco Aurélio Martins da Silva, dos missionários redentoristas, dos voluntários, da Prefeitura de Trindade e do Governo de Goiás na organização da festividade. “O que eles constroem a cada ano é uma obra de fé e de competência”, destacou.
Reconhecimento da tradição religiosa e cultural
De acordo com o senador, a proposta surgiu após uma conversa com o padre Marco Aurélio, em 11 de maio, durante uma visita a Trindade para a entrega de recursos destinados à saúde e à assistência social do município.
Ao defender o reconhecimento nacional, Vanderlan lembrou que Goiás já concedeu reconhecimento estadual ao Grande Sino Vox Patris, ao Santuário Basílica e à própria Romaria. Também mencionou a Romaria dos Carros de Boi, reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2016.

“Agora é a hora de o Congresso Nacional dizer ao Brasil o que Goiás já sabe: a Romaria do Divino Pai Eterno não é uma festa regional. É patrimônio do povo brasileiro”, afirmou.
Em seu relatório, o senador Flávio Arns ressaltou que a Romaria completou 186 anos em 2026 e se consolidou como a maior peregrinação do Centro-Oeste e a segunda maior do Brasil. Além da dimensão religiosa, a celebração também movimenta diferentes setores da economia, como hotelaria, gastronomia, logística e comércio.

O projeto não prevê criação de despesas ou novas obrigações administrativas. A iniciativa busca registrar na legislação brasileira o reconhecimento de uma tradição que permanece viva ao longo de gerações, sustentada pela fé dos romeiros e pela participação popular.
“Ele faz algo diferente e necessário: registra na lei brasileira o respeito a uma tradição centenária, preservada não por decreto, mas pela fé do romeiro e pela constância do povo”, declarou Vanderlan.
Com a aprovação na Comissão de Educação e Cultura do Senado, a proposta segue para a Câmara dos Deputados, onde continuará sua tramitação legislativa.
Com informações da Agência Senado



